sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

ONDE MORA O AMOR?

O amor acontece em três tempos, como tudo na vida: início, meio e fim. A ciência – matematicamente – afirma que um relacionamento acaba geralmente sete anos depois que começou, que é quando o corpo acha que a monogamia deixa de fazer sentido. Não sei bem se isso se aplica e até que ponto podemos achar que o amor se deixa fisgar pela lógica matemática.

O início e o fim do amor são fáceis de detectar. O primeiro é marcado pela paixão, coração acelerado, sentir saudade quando a pessoa nem saiu do seu lado ainda. O mundo fica colorido, os passarinhos cantam lá fora a despeito de não ter passarinho nenhum (apenas um tráfego maluco de cidade grande com ambulância, buzinas e alarmes berrantes).

O fim também é fácil: o outro deixa de ser importante para você num sentido existencial. Você deixa de se importar, perde a admiração (romântica), a vontade de estar junto, de fazer planos, de beijar, de abraçar, de conversar. A apatia toma conta da relação, você começa a se sentir mais você e mais livre quando está longe do outro e qualquer coisa é desculpa para uma briga que os aproxime logo de um ponto final. Você implora, mesmo inconscientemente, pra ser capaz de "sem querer", fazer alguma coisa que leve o outro a desistir de você, porque a apatia é tanta que até o término é um esforço sobre-humano.

Que discordem de mim aqueles para quem a primeira impressão é a que fica, mas entre o começo e o fim, acho que importa mais como termina do que como começa. Eu questiono grandes amores que terminam em ódio (mas esse talvez seja assunto pra outro post!), porque o jeito que você termina diz muito sobre a veracidade do amor que existiu (e que em certa medida nunca vai deixar de existir, apenas vai se transformar em amizade e consideração).




Dure o tempo que durar e seja como for, acredito que existe um tempo em que podemos encontrar o amor no seu estado mais "puro": no meio. É nesse tempo que tudo acontece de verdade, é nele que o amor realmente mora. Se um dia você precisar pensar se um amor que não durou pra sempre foi feliz e valeu à pena, esqueça o começo e o fim, porque é no meio, sem as fantasias da paixão ou a letargia do fim, que podemos medir a beleza e a intensidade de um relacionamento.

Mandar flores quando se está apaixonado é fácil. Não começar uma briga inútil quando já estamos cansados demais pra querer tentar qualquer coisa também é fácil. Você pode atravessar o oceano pra ver o ser amado e isso não ser realmente grande coisa quando se está apaixonado. Ou você pode acabar com seu casamento por causa de uma toalha molhada na cama - porque quando um não sente mais nada pelo outro, uma toalha molhada pode ser completamente inadmissível (acredite!).

Mas a coisa mais difícil de encontrar, de verdade, é o amor dentro da realidade dos dias, nas pequenas gentilezas, em flores numa quarta-feira cinzenta sem nenhum motivo especial, nos pequenos sacrifícios no dia-a-dia; no esforço em chegar na hora mesmo quando a intimidade às vezes sugere que atrasos devem ser tolerados, no companheirismo necessário pra encarar uma falta de grana, na parceria de dividir tarefas domésticas e se revezar pra cuidar dos filhos, nas noites de sexo que renovam a intimidade e nos fazem sentir ainda desejados; nas noites de febre e cólica, no respeito e na tolerância àquele que é diferente de você, no carinho de uma massagem antes de dormir, na atenção ao que outro fala, no estímulo à realização dos sonhos, no apoio incondicional.

Difícil é, no meio, sentir encanto, ter vontade de perceber o outro sem máscaras, sem fantasia: a olho nu. Felizes daqueles que conseguiram ou conseguirão encontrar a morada do amor. Seja no Alasca ou subúrbio, na zona sul ou zona norte, no primeiro ou no terceiro mundo, na rua, na chuva ou na fazenda, a sensação é de estar no melhor lugar do mundo!

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