segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Como se eu nunca tivesse existido.

“Será como se eu nuca tivesse existido!” As palavras ecoavam em minha mina mente rondando em aspirais enquanto eu avançava floresta a dentro. Espasmos de dor e repulsa eram constantemente jogados em meu sistema, enquanto eu lutava contra a dor e sofrimento que começava a se alojar em mim. Era um dor muito forte. Nenhum humano suportaria. Eu não era um humano. Eu nunca mais seria por mais que eu desejasse.

Senti a raiva começar a tomar conta de mim. Uma raiva destruidora que não fazia sentido. Uma raiva contra o mundo, contra o destino, contra meu passado. Uma raiva; sobre tudo; de mim mesmo. Uma raiva pelo que eu era. Uma raiva não pelo asqueroso monstro que eu era, mas pelo mais maldito e fraco ser humano com o qual eu me parecia agora sem mesmo ser um. Raiva por ter que fugir. Raiva por ter que quebrar minha vida, voltando a rotina agora sem sentido, sem gosto, sem tom ou timbre... Sem Bella.

Como regra geral (pelo menos para mim), correr sempre fazia minha mente voar. Sempre me fazia ser melhor do que eu estava. Era como se todas as minhas preocupações, minhas dores, sedes e anseios ficavam para trás não conseguindo me acompanhar, mas aquela dor não ia embora. Senti minhas mascaras caírem no caminho deixando minha face de dor livre. Eu poderia chorar nesse momento, mas em mim não havia liquido para fazer isso. Vampiros eram seres “feitos” para guardarem seus sentimentos para si mesmo. Nós somos feitos para sermos fortes, para não chorar.

Meus passos diminuíram até que eu não corria mais. Os ventos sussurravam nos meus ouvidos, mas eu não me permiti seguir na linha da realidade. Deixei-me cair, mas alguma arvore me impediu de colidir com o chão. Nunca em 100 anos meu coração paralisado pareceu tão vazio. Tão sem batimento. Nunca ele pareceu tão vivo, mas mesmo assim tão morto. Tão vivo pela dor, mas tão morto pela inexistência. Eu sabia que não aditava eu passar a eternidade correndo. Bella nunca ficaria para trás como meus problemas e medos. Ela não era algo que pudesse se separar de mim. Ela já se tornara uma peça inseparável de mim. Uma parte grande o suficiente que agora eu renegava para mim mesmo.

O que eu estava fazendo? O que eu estava rejeitando? Perguntas que brotavam em minha mente sem que eu tivesse a sequer oportunidade de bloqueá-las. O que eu estava fazendo era me mandando para o inferno. Eu simplesmente estava trilhando minha própria estrada para o inferno. Jogando fora todas as possibilidades de ser feliz. Jogando fora todas as esperanças, todos os sonhos de futuro que eu sabia que seriam impossíveis. Jogando onde quer que seja tantas promessas, tantos desejos, tantos sacrifícios. Jogando fora minha vida. Eu estava rejeitando minha vida.

“Bem as coisas mudam.” Um golpe. A dor parecia correr pelas minhas veias secas, como um liquido. Eu nunca havia experimentado um dor tão real como aquela. Como ela podia ter acreditado tão facilmente em minhas blasfêmias? Como ela poderia ter se esquecido tão facilmente das juras de amor eterno que somente ela seria digna de receber de minha parte. Nunca eu desejei tanto ser um péssimo mentiroso assim como ela. Eu não sabia, na verdade eu não esperava que ela pudesse aceitar as coisas assim. Meu desejo inconsciente e inconseqüente era que ela lutasse. Que ela me pedisse, que ela me xingasse por estar fazendo aquilo com ela. Eu queria que ela me impedisse de fazer aquilo com ela. Mas como sempre ela me surpreendeu.

Eu deveria ser masoquista para fazer isso. Eu sempre soube que magoar Bella significava para mim a minha própria condenação. Eu sempre soube que magoá-la era a mesma coisa que me ferir, e agora o que eu estava fazendo? Muitas vezes jurei que nunca mais iria machucá-la, e agora era isso mesmo que eu estava fazendo. Era isso mesmo que eu estava causando à ela e conseqüente a mim. Agora eu estava dando meu veredicto. Agora eu estava conjurando para mim mesmo a solidão me assombrava por durante 100 anos. Eu estava querendo morrer.

A morte! A solução de todos os problemas, mas ela não podia chegar para mim. Ninguém gosta da morte. Ninguém gosta de pensar nela, mas ela era a libertação do desespero, da dor, da solidão. Todo mundo a imagina como um ser cavernoso, que ronda o mundo com sua foice a cear vidas humanas, mas eles não entendem o significado por detrás de todo esse ritual, de todo esse ciclo da vida. Ah Romeu, eu sei que agora nunca mais irei te criticar. Quantas vezes achei que aquilo que tu fazias era algo a mais do que a verdade, mas agora eu conseguia imaginar teu lado. Agora eu conseguia por fim entender seu desespero por Julieta. Eu também nunca viveria sem Bella, a única diferença que você tinha seu escape. A morte.

“Se é isso que você quer....” Não!! Não era isso que eu queria. Não era essa a decisão que eu queria mas a certa a ser escolhida. Quanto tempo mais conseguiria me controlar? Quanto tempo mais eu saberia que conseguiria manter ela viva? Quantas vezes mais eu teria que deter outros vampiros, meus próprios familiares para eles não atacarem Bella? Ou ainda pior, quem estaria por perto para me deter se EU tentasse a atacar? Não, não, NÃO!! Ela agora estaria segura. Ela agora estaria mais feliz. Não demoraria muito tempo e ela acharia alguém que a fizesse feliz sem ter que se preocupar em matá-la a cada segundo. Nem se fosse Mike Newton. Eu odiei esse pensamento. Eu sabia que odiaria qualquer que fosse o humano que a teria nos braços pelo resto de sua vida. Eu sabia que haveria sempre o desejo de esmagar sua cabeça com as minhas próprias mãos, e beber cada gota de seu sangue até que ele estivesse no chão completamente sem vida, mas eu não podia. Eu não podia ter esse tipo de desejos em qualquer parte de minha mente. Eu sabia que nunca seria humano novamente para poder acariciar sua pele cheirosa, macia e quente. Eu sabia que nunca poderia ser o humano que estaria ao seu lado para secar sua lágrimas quando essas rolassem pela sua face. Eu não teria mais a chance de ser o homem que estaria ao seu lado para lutar com ela contra tudo e todos, contra todos os medos, contra todos os perigos. Eu nunca mais seria humano.

Não fora o medo de Jasper a atacar que impulsionara minha decisão. Eu sabia muito bem que ele nunca faria isso. Eu sabia que ele estava arrependido profundamente pelo ocorrido. Eu entendi o seu lado de toda essa história, mas não fora exatamente isso. Fora principalmente por que naquela hora eu consegui ver uma outra dimensão. Uma dimensão que nem Alice conseguia penetrar. Foi em jasper que eu me vi. Na hora fora em Jasper que eu me via encarnado, sedento pelo sangue dela, não conseguindo pensar em mais nada a não ser em como seu sangue era doce, em como seria ele descendo pela minha garganta. Naquela hora eu me vi num lugar onde ninguém estava por perto para me deter. Eu nuca me perdoaria se isso acontecesse. Eu nuca me perdoaria pela eternidade se algo acontecesse a ela, se eu fizesse algo a ela.

Eu sentia meu corpo se partindo em dois enquanto a dor era tão palpável. As imagens que a um ano atrás Alice havia visto voltaram a tomar conta de minha mente, enquanto eu me recusava a pensar nela. Bella ali, em meus braços, branca, sem vida. Seu coração sem bater e sem suas bochechas ficarem coradas. O silencio de seu coração pregando minha culpa, enquanto em meus olhos a prova de minha perdição.

“ Isso é por causa da minha alma, não é? Carlisle me falou sobre isso, e eu não ligo, Edward. Eu não ligo! Você pode ficar com minha alma. Eu não quero ela sem você, ela já é sua!” Levei as mãos na cabeça tentando; quem sabe talvez; arrancar as palavras de Bella que girava em minha mente num redundância sem fim. Como ela podia brincar com algo tão sério. Como ela poderia querer entregar sua alma para um monstro? Como ela poderia não ligar em perder sua alma, somente para ficar comigo? Para viver a eternidade como um monstro? Não eu não faria isso com ela. Não imporia ela a essa maldição. Por mais que ela quisesse, eu não faria uma pessoa tão boa ser amaldiçoada como eu fui. Era uma dor insuportável pensar nela com aquele corpo exuberante, presa eternamente no corpo de pedra, frio.

Quanto tempo eu não lutei contra isso? Quanto tempo eu tentava expulsar a visão de Alice, quando ela a viu como uma de nós. Eram lutas constantes, contra mim mesmo, contra aquilo que eu era, contra o monstro que habitava em mim. Eram lutas que eu não gostava de imaginar seu produto. Mas por quanto tempo mais eu conseguiria prender este monstro? Eu nunca odiei Carlisle por me transformar no que sou, mesmo por que se ele não tivesse feito, eu não teria a oportunidade de conhecer Bella. Eu havia esperado por ela uma década, e toda a minha existência já bastava pelos breves momentos que tive com ela. Na verdade eu odiava a mim mesmo por ser este monstro e não uma pessoa boa como meu pai.

“Como se eu nunca tivesse existido!” De tantas promessas quebradas essa era uma que eu naquele momento queria quebrar. Um desejo intenso de que eu precisava dela. Ela era o sol que iluminava minhas eternas noites. Ela era a estrela que me guiava quando eu estava perdido, quando tudo parecia perder o sentido. Eu sabia que não existia longe dela. Eu nuca poderia existir sem sentir o cheiro dela. Eu somente não sabia mais como existir longe dela.

Voltei a correr, dessa vez para a casa dela. Não demoraria para Charlie voltar, e eu não sabia se ela já havia voltado. O que eu faria se ela estivesse lá? Eu não sabia, mas era mais provável que me rastejasse aos seus pés pedido perdão. Perdão pelas mentiras, pela dor que causei a ela, mas quando cheguei ninguém estava lá.

Escalei rapidamente até o quarto dela. O cheiro no quarto me colocou num estupor. Eu derramaria lágrimas de sangue se fosse possível, ou até poderia dizer que minha alma gritou de dor naquele momento se possuísse alguma. Aquilo estava me quebrando e eu sabia disso.

Fui até o radio e tirei o Cd que havia grado para ela. “Como se nunca tivesse existido!” Eu devia isso a ela. Eu devia que ela não precisava se lembrar de mim depois do que havia feito a ela hoje. Eu deveria entender se ela não quisesse mais olhara para mim depois daquele momento. Eu entenderia e aceitaria esse fardo perfeitamente pois eu sabia que ela estaria em todo o seu direito. “Como se eu nunca tivesse existido!” As palavras rasgaram-me mais uma vez por dentro. Uma nota solitária se esparramou por mim enquanto eu juntava as passagens de avião e as fotos que ela havia colocado álbum.

O celular no bolso vibrou. Eu não precisava olhar o visor para saber quem era então fiz questão de rejeitar a chamada e desligar o celular. Eu queria gritar contra tudo, contra todos naquele momento. Queria perguntar as Irmãs do Destino por que eu? Por que eu fora escolhido para carregar esse fardo, para sofrer aquela dor que palpitava em meus pensamentos, no meu corpo.

“Como se eu nuca tivesse existido!” Será que era realmente isso que eu queria. Um sentimento de egoísmo me inundou naquele instante. Eu poderia arrancar a pagina de forma que pareceria que eu realmente nunca tivesse existido, mas eu queria ter esperança que ela se lembraria de mim algum dia, quando ela superasse isso. Ela era forte. Ela sempre me impressionava com sua bravura. Não seria tão difícil assim para ela. Como eu disse antes, mentes humanas são fáceis de bloquear partes ruim.

Eu não arranquei a pagina, e não tive coragem de levar os presentes comigo. Eles eram delas. Talvez essa fosse uma boa desculpa, mas não passavam disso. Uma desculpa muito esfarrapada para a esperança de algum dia ela pudesse achar, e se lembrar de mim sem rancor. Era um reconforto para saber que pelo menos uma parte minha ficara para trás com ela. Uma parte material igual meu coração que eu largava com ela, mesmo sem ela saber.

Juntei os presentes embaixo de um assoalho solto sob sua cama. Ela dificilmente os acharia ali. Ela não sabia da existência desse esconderijo. Arrumei-os ali, colocando a madeira, e me levantando deixando as coisas exatamente como estavam antes de minha limpeza. Seria apenas uma lembrança opaca na mente dela a minha imagem. Quem dera talvez um dia ela pensasse que tivesse sonhado essa parte de sua vida. Então eu não passaria de um sonho, mesmo que eu periodicamente voltasse para vê-la (o que eu não permitiria que acontecesse por maior que fosse a dor), ela não se lembraria de mim.

Um grito de dor subiu pela minha garganta, mas eu o reprimi. Não! Seria mais fácil para ela que fosse desse jeito, mais saudável. Mesmo que isso doesse em mim, era o certo a fazer.

Desci e escrevi num bilhete, tentando imitar com perfeição a caligrafia de Bella, e deixei na porta da geladeira para que Charlie soubesse onde ela estava caso ela não voltasse tão cedo. Voltei a subir para seu quarto, somente para checar e sentir pela ultima vez cheiro, mas impedi que memórias de nossa felicidade invadissem minha mente.

Fui até a janela. Eu poderia estar cometendo o maior erro da minha vida, mas e se eu não testasse? Ela poderia ter tido uma vida diferente se eu não tentasse? Ela poderia ter tido uma vida normal ou isso não fazia a mínima diferença? Eu deveria tentar! Eu daria a ela essa chance. Por ela mesma, pelo nosso amor! Eu daria a chance dela saber como seria sua vida sem mim aqui. Se seria uma vida normal. Uma pessoa não poderia viver num mundo de fantasias, e monstros sem saber como seria sua vida no mundo real, no seu devido lugar.

“Como se eu nunca tivesse existido” Inspirei fundo mais uma vez deixando o cheiro dela me invadir por completo, enquanto descia pela janela e corria para meu carro. Não me importei se estava sujo ou molhado. Eu precisava sair deli. Eu não seria capaz de fugir se me permitisse ficar ali mais um pouco. Eu era um fraco. O carro acelerou bruscamente catando os pneus quando deu uma arrancada pela rua.

O cheiro dela ainda permanecia em minha mente, em meu carro. Era doloroso aquilo. O monstro dentro de meu corpo, em minha mente rosnou para mim, e pela primeira vez não era pela sede do sangue de Bella. Ele rosnou de dor, não por causa de querer que eu matasse Bella pelo seu sangue. Era por outro motivo. Era por nossa separação.

Mas eu devia isso a Bella. “Será como se nunca tivesse Existido!”

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