quarta-feira, 14 de julho de 2010

h1 Polêmica religiosa como estratégia de marketing. Isso ainda funciona?

Antes de mais nada, convém dizer que não sou católica, nem cristã; sequer tenho qualquer tipo de crença religiosa ou deísta.

Deu na mídia hoje: a Igreja Católica acabou envolvida com um anúncio publicitário de lingerie, com a revista Playboy e com o mau gosto, tudo ao mesmo tempo.

No caso da revista, trata-se da versão portuguesa da Playboy, que está saindo de circulação por conta de capa e ensaio fotográfico que “homenageavam” o escritor Saramago. Nas fotos, um modelo representando Jesus Cristo junto a belas mulheres nuas. O pessoal da revista teria pretendido fazer uma releitura soft pornô da obra “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, do falecido autor português. Ao menos, essa é a argumentação destinada ao público. Evidentemente, a ideia que não se diz era a de inventar uma polêmica marqueteira travestida de transgressão sexual. Simplório.

O castigo veio a galope e deu na mídia: “A Playboy Enterprises, que controla os direitos da marca no mundo todo, anunciou em comunicado enviado à imprensa hoje, que a filial portuguesa vai perder sua licença e terá que fechar as portas”. A revista Playboy, com todos os defeitos que se possa apontar em relação ao seu… ahn… jornalismo, tem um padrão que segue com entediante constância e não costuma envolver polêmicas religiosas.

Já o imbroglio com a fábrica de lingerie é de outra cepa. O anúncio coloca uma mulher de calcinha e soutien em plena praça de São Pedro, no Vaticano, mostrando um crucifixo, à moda espanta-vampiro, a um homem de costas, vestido para lembrar um padre. No alto, a cereja deste bolo de mau gosto: a frase “Pedofilia, não”. Tosco na estratégia. Vulgar na realização. Uma apelação hipócrita que mistura apelo a sexo com bom mocismo de ocasião e um toque do vampirismo light que anda na moda.

A fábrica de lingerie soltou um comunicado repisando a velha ladainha de que “não teve intenção de ofender a Igreja Católica” e que a Itália (eles evitaram dizer “Vaticano”) teria sido escolhida “devido à beleza das locações”. Balela. O anúncio é claramente ofensivo – e não precisa ser um fiel de crença alguma para reparar nisso. Mas também havia outra intenção: tal como no exemplo da Playboy, o intuito era gerar polêmica, devidamente alimentada por press releases enviados aos jornalistas.

Os donos da marca e o povo da agência dizem agora que estão suspendendo a veiculação do anúncio. Pode até parecer que estão tentando remediar ou atender a um clamor da opinião pública (se é que houve). Mas não é nada disso: a campanha pode sair do ar porque a visibilidade da marca foi mais que garantida, tanto no lançamento dos anúncios, quanto na polêmica e também agora, na suposta retratação. Falem mal, mas falem de mim. Aliás, quem não se lembra do slogan da marca? “Você não sabe do que uma D… é capaz”. Por lucro? Sim, sabemos.

Vergonha alheia de publicitários e jornalistas… E aposto que haverá quem veja “repressão ao sexo” no desfecho desses casos de puro marketing. É a grana que conta, meus caros.

Fontes:
Exame
Folha Uol
Meio&Mensagem

Anúncio da fábrica de lingerie: mau gosto e má fé

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