domingo, 16 de maio de 2010

Legião Urbana

O poeta

- Não entendo as letras deste grupo. Tem algum sentido, por exemplo, Meu filho vai ter nome de santo? / Quero o nome mais bonito

A adolescente responde: - Todo mundo é coberto de boas intenções quando tem filhos, mãe. Desejam sua felicidade. Tentam escolher os melhores nomes. A letra fala justamente disso. De como as pessoas depois se perdem, cometem erros que não queriam. E pais e filhos se tornam tristes e sozinhos. Sem que ninguém tenha culpa. Ou que todo mundo a tenha.

FOTO:  ANTONIA MARCIA/AJBRenato Manfredini Junior nasceu no dia 27 de março de 1960, às 4 horas, no Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro. Teve uma infância comum. Soltava pipa, brincava de pique, andava de carrinho de rolimã onde morava, na Ilha do Governador, bairro da Leopoldina. Certa vez, perguntado por uma repórter do Jornal do Brasil se era uma criança introspectiva, respondeu em tom maroto: "eu aproveitava os dias de chuva".

Filho de pai economista do Banco do Brasil e de mãe professora de inglês, Renato teve uma infância tranqüila, em uma família de classe média alta, onde pôde adquirir uma boa amplitude cultural. Principalmente, depois da estada fora do Brasil. Aos sete anos de idade, ’Juninho’, como era chamado na época, mudou-se para Nova Iorque, porque o Renato pai iria fazer um curso, logo sendo matriculado em uma escola local. Juninho e Carmem Teresa, sua irmã caçula, puderam então ampliar seus conhecimentos na língua de Shakespeare.

Depois de retornar para o Rio, a família foi morar em Brasília. Ali começaria a fase mais traumática até então. Em 1975, com 15 anos, Renato ficou impossibilitado de andar. Sofria de epifisiólise, uma doença rara que ataca os ossos. Passou por diversos tratamentos e operações. Voltaria a caminhar já aos 17 anos.

Nome artístico - Apesar da complicação natural da situação, Renato acabou aproveitando o tempo para ler. Ele chegou a criar uma banda fictícia, na qual o cantor/alter ego se chamava Eric Russel. O sobrenome artístico era uma homenagem coletiva ao filósofo Jean-Jacques Rousseau, ao pintor naîf Henri Rousseau e ao filósofo Bertrand Russell. Esta mistura filosófica e artística daria origem também ao ’Russo’ do Renato.

Antes de realizar o sonho, porém, o futuro músico ainda seria professor de inglês, programador de rádio e jornalista. Lecionando na Cultura Inglesa, foi escolhido pela entidade para recepcionar o Príncipe Charles quando o monarca inaugurou uma das filiais do grupo. E lá estava Juninho com seu inglês perfeito.

Andava com uma certa ’Turma da Colina’. Rapazes que se reuniam em um conjunto de prédios construídos para abrigar professores e funcionários da UnB. Um enclave de liberdade em uma Brasília sombria. Embaladas por maconha e garrafões de vinho, diversas bandas de punk rock surgiram do núcleo cultural.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada pela visita.
Fico feliz, volte sempre =D

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...